Se existe um curso secreto de “como evitar perguntas difíceis”, o prefeito Marcelo Belitardo certamente fez com louvor. Em Teixeira de Freitas, a gestão virou referência — não em transparência, mas em criatividade para não responder o óbvio.
As CPIs foram abertas e começaram a fazer algo revolucionário: perguntar. Simples assim. E aí começa o espetáculo.
— Para onde foi o dinheiro?
Resposta: “Precisamos olhar para o futuro.”
— E os contratos?
Resposta: “A cidade precisa de união.”
Pronto. Pergunta ignorada com sucesso.
O problema é que isso não é apenas engraçado — é preocupante. Porque quando o assunto envolve dinheiro público, especialmente da saúde, não dá para brincar de esconde-esconde administrativo.
O instituto investigado virou quase uma entidade mística. Sabe-se que movimenta recursos importantes, mas entender como funciona parece missão impossível. Falta transparência, sobra dúvida.
E quando entra o Conselho Tutelar na história, o clima azeda. Fiscalização virou incômodo? Desde quando ser questionado é problema para quem está no poder?
O capítulo do lixo é o auge do roteiro. Serviço contestado, dinheiro questionado e uma população convivendo com o resultado. É a metáfora perfeita: o problema fica visível, mas a explicação… desaparece.
A defesa clássica é sempre a mesma: perseguição política. Mas essa narrativa já vem com prazo de validade vencido. Quando as perguntas são muitas e as respostas poucas, o problema não é quem pergunta.
No fim, a CPI não é vilã. É consequência.
E talvez o maior erro da gestão tenha sido subestimar uma coisa básica: uma hora, alguém ia começar a cobrar.
E está cobrando.
Por Redação
