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FUNDO AMERRA CAPITAL: ESCÂNDALO NO BRASIL VAI PARA O JUDICIÁRIO

A usina Bahia Etanol, situada em Ibirapuã, no extremo sul da Bahia — região estratégica para o agronegócio e fortemente dependente da cadeia da cana-de-açúcar — integra o Grupo ARAI, que atualmente se encontra em processo de recuperação judicial. Apesar do colapso financeiro do grupo, a unidade chama atenção por manter operação considerada superavitária, gerando recursos relevantes mesmo em meio à crise.

É justamente esse ponto que levanta um dos principais questionamentos entre produtores, credores e observadores do setor: se a usina segue gerando caixa, para onde estão sendo direcionados esses recursos? Em um cenário de recuperação judicial, onde a transparência e a previsibilidade são pilares fundamentais, a ausência de respostas claras amplia a desconfiança e tensiona ainda mais o ambiente.

Em 2024, Rogério Martins, executivo da AMERRA CAPITAL — uma das principais credoras do grupo —, esteve na unidade e assegurou que os pagamentos seriam regularizados, garantindo que os produtores não seriam mais prejudicados. A promessa, no entanto, não se concretizou. Ao contrário: muitos produtores, confiando na sinalização apresentada, aumentaram sua exposição e viram suas dívidas se aprofundarem ainda mais.

Atualmente, a AMERRA CAPITAL é alvo de críticas pela condução das negociações. Segundo relatos de produtores, o fundo tem atuado à margem de tratativas formais, condicionando o pagamento de valores já devidos à assinatura de contratos de fornecimento de longo prazo — em alguns casos, com duração de até sete anos. Na prática, o que se estabelece, segundo essas fontes, é um cenário de pressão: ou o produtor se vincula novamente à operação, ou permanece sem receber.

A situação levanta questionamentos relevantes do ponto de vista jurídico e econômico. Em meio a um processo de recuperação judicial, especialistas apontam que práticas dessa natureza podem ultrapassar os limites da negociação legítima, aproximando-se de um ambiente de imposição e possível constrangimento econômico.

Diante disso, a pergunta que se impõe é inevitável: trata-se de uma estratégia de reestruturação — ou de um mecanismo de chantagem sobre produtores já fragilizados pela crise?

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